Feitiço tríplice

Das pedras imutáveis, um cascalho profícuo

Mantras em filigrana e o cristal de outrora

- Serão três agora os filhos desta casa!

Três com o Transparente que já se anuncia…

Das pedras imutáveis, uma poeira lenta

Ossos quebrando véus em cama desgraçada

- Serão três agora os filhos desta casa!

Três com o Gigante Azul que não falou ainda…

Das pedras imutáveis, uma chuva de ouro

Vento zunindo céus e crepitando baixo

Serão três. Serão três.

Três luas e três sóis

Três velas e um grimório

Três o que multiplica

Três vezes a alegria

Serão três vezes filhos, a três passos de mim

***

Mandinga

Esperávamos todos pela primeira chuva.

Ele não andava, rasgava a mata e farejava, cascaviava.

Eu como eu, o observava.

Ele não dizia nada, ele rosnava e grunhia.

Eu como eu, imaginava.

Diante da árvore cipó, ele sentou e revirou os galhos secos, as cascas podres, até achar o caramujo. Casa habitada ainda úmida. Ele resmungou três vezes o nome certo e três vezes repetiu o ofício mágico. Ainda jogou o pó por cima. Fechou o mistério todo e me mandou ficar bem quieta. Esperar a vela queimar e o dia cair.

Assim fiquei; a agradecer o companheiro no meio da mata.

Eu sosseguei; e ele

sumiu no invisível.

Quando a chuva caiu, eram três da manhã…