A Força calma
Amar com a força calma de um mar
Amar em paz
Amar e não esperar nada
Serenar-se dentro e fora
E ao comer, a cada grão, agradecer a Deus
Lembrar também das lições do Velho
E agradecer aos homens, a cada grão
Olhar para aquele que dorme
Sem esperar que acorde
Olhar aquele que descuida
E não lamentar nada
Deixar aquele que trama
Tramar contra si mesmo
Permanecer em silêncio e adentrar a música
Chamar a ingenuidade
Serenar-se com ela e não deixar de amar
***
Lição para o Amor
Não diz nada, aja.
A vida não é feita de encantamentos passageiros
De palavras à toa
Tampouco de alívios momentâneos
A vida pesa, como a espada do guerreiro
E se pesar todos os dias, não pára, não reclama:
Acostuma-te e caminha
Mas aprende a lição da flor:
Ela nunca se embaraça com pesos desnecessários
Há pesos necessários à beleza da flor e do amor: o perdão, a compreensão, o acolhimento, o cuidado e as borboletas
Porque sempre acabam alçando vôo contigo
Há pesos desnecessários ao amor e à beleza da flor: a tirania, o jogo, o ciúme, a competição, o egoísmo e o mofo
porque alguns não te querem cuidar, só te querem comer: pornéia.
***
Ao Poeta e aos passarinhos
Palavras, palavras…
O que me encanta no poeta não são as flores e os passarinhos
É a força do Construtor de Mundos
O saber-se inteiro, o homem livre!
Azaléias, azaléias…
O que me encanta nas flores não é o perfume nem a fragilidade
É a força da resistência, a convicção das raízes
O amarelo radiante, o vermelho vida
O infinito azul no coração das pétalas
Quanto aos passarinhos…
Que voem e voem e desapareçam da minha frente
Que sumam e levem consigo o espetáculo de sua pequenez
E que na terra que molho todos os dias
Possa permanecer apenas a imagem de seus altivos vôos!