ínfima estética

Exercícios de criança a la Manoel de Barros

segunda-feira, abril 5th, 2010 | Citação, Pensamento-poema, Poemas, ínfima estética | Nenhum Comentário

 

 

 

Sim, eu já me queimei com chocolate.

 

Toda queimadura entorta. Quanto mais homem

Mais menino. Quanto mais menina mais mulher.

 

Durmo sobre os óculos. Tudo acorda torto.

 

C’óculos tortos saio às ruas. Vejo logo

A culpa não é do mundo.

Meu olhar é que encurvou.

 

Todo mundo parece entortado. Às vezes,

revezes nos levam às fezes. Eita que

Poema mais abestado!

 

Só pode. A culpa é do Manoel de Barros.

Chego na livraria e leio seus Exercícios de ser Criança

 

“No aeroporto o menino perguntou:

- E se o avião tropicar num passarinho?

O pai ficou torto e não respondeu.

O menino perguntou de novo:

- E se o avião tropicar num passarinho triste?

A mãe teve ternuras e pensou:

Será que os absurdos não são as maiores virtudes

da poesia?”

 

Daí que entorto meus olhos de criança

nos absurdos da poesia.

Meus óculos estavam ajustados de Barro.

Sim, tenho um filho chamado Manoel.

 

Sim, eu já me queimei com chocolate.

No fogo de um poema abestado

Menino torto Manoel de Barros.

A pureza e outros vícios

quarta-feira, janeiro 27th, 2010 | ínfima estética | 3 Comentários

 

Quanto mais ele envelhecia, mais tentava ter olhos infantis.

 

Passava o dia a recitar Lorca: “Estou a buscar o sono das maçãs…” Tentava buscar também a atmosfera das tâmaras.

 

Com fervor, acreditava que o estado infantil era a saída para o coração do homem. Importava se o olho era tinto; se o amor era cru; se a palavra era alva; se a mordida era quente e se o saber era nu.

 

                                                              Se redizia:

                                                                  

Todo aquele que enxerga com o peito vê mais longe.

 

Quanto mais ele envelhecia, mais usava óculos infantis.

  

Informe aos prezados leitores

sábado, janeiro 23rd, 2010 | ínfima estética | Nenhum Comentário

 Um hacker, sei-lá-eu-o-quê, deve ter entrado no meu sistema (ui!) e apagado todas as minhas mensagens, comprovando empiricamente a total Inutilidade da Poesia.

Podem ver que desapareceu um monte de informações aí do lado direito, assim como o arquivo todo, as páginas anteriores, foram todas parar no beléléu ou na Baixa-da-Égua que, descobrir recentemente, fica no Alecrim, o bairro em que nasci, em Natal, RN.

Não liguem para o fim cibernético dos contos, poemas e crônicas que venho escrevendo aqui. Tenho tudo guardado em cofres na Suiça.

Se foi o destino, as musas ou os tremores do nosso coração, o que fizeram despencar parte deste Diário Razão Poesia, deve ser p.q. estamos na ordem do dia. Um amigo me disse: “Tu fala tanto da ‘estética do insignificante’, que, pronto, um hacker quer sumir contigo”.

Este hacker tem total razão!

Só que essa estética não é minha, mas do Manoel de Barros.

Tudo em toda a parte está a tremer e a cair, é verdade. Minha amiga e afilhada, Kelly Sumi, escreveu dizendo: “As coisas tremem para que a gente olhe para elas”. É isso mesmo.

Pronto. Tá explicado! Eis o motivo de tanta tremedeira em nossos corações ultimamente!

 Então, por favor, olhemos o Haiti.

O acendedor de lampiões

sexta-feira, janeiro 22nd, 2010 | ínfima estética | Nenhum Comentário

Estive a lembrar do acendedor de lampiões, do livro Pequeno Príncipe (1943), de Saint-Exúpery.

O Pequeno Príncipe vai até o planeta onde só mora o acendedor de lampiões, que acende a chama quando a noite chega e apaga ao amanhecer. Como os dias começam a passar mais rápidos, o acendedor tem mais trabalho, dorme menos. O Pequeno Príncipe acha a função do acendedor muito importante se comparada às funções dos outros moradores dos planetas que visitou.

No primeiro planeta ele visitou o rei, depois, noutro planeta, visitou o general, em seguida morava sozinho, em outro planeta, o vaidoso e, depois, o bêbado. “Finalmente”, diz o menino depois de encontrar o planeta onde mora o acendedor de lampiões, finalmente, um planeta onde alguém faz alguma coisa útil…

Viva o acendedor de lampiões! Antonio Porchia dizia: “Às vezes é preciso acender um fósforo, para iluminar as estrelas”.

Quando o homem passar

terça-feira, janeiro 19th, 2010 | ínfima estética | 2 Comentários

 

O inferno do divino passa pelo inferno do humano.

 

Nenhum homem na Terra é anjo o suficiente. Por mais que queira. Por mais que ache.

 

Nenhum homem sob o céu vale o que cospe a tempestade.

indefinições

quinta-feira, dezembro 31st, 2009 | ínfima estética | Nenhum Comentário

 O lírico é o que coloca rédeas na tristeza.

Em 2010

segunda-feira, dezembro 28th, 2009 | ínfima estética | Nenhum Comentário

Boa sorte para você. Sobretudo saúde e paz interior.

Por via das dúvidas, acompanhe-se dos leves. Serene o seu facho ou atice a sua chama, conforme for. Se for preciso, enterre os seus mortos e siga em frente. Enterre o coração na curva da ponte ou enterre o seu verso entre os dentes e siga em frente. Tome banho de champanhe para afastar os idiotas e atraia quantos corações você for capaz de amar.

instética

quarta-feira, dezembro 9th, 2009 | ínfima estética | Nenhum Comentário

 

Só o feio pode dizer do belo

 

Meus monstros

Tuas Barbies

 

Meus demônios

Tuas Bárbaras

 

Meu fim

Tuas asas

 

 

 

 

 

 

Cinco psicologias e uma geografia

terça-feira, novembro 10th, 2009 | Frasementos, ínfima estética | Nenhum Comentário

 

 

 

1.

 

Quem vê cara não vê angústia.

 

2.

 

Sou cópia pirata de mim mesmo.

 

3.

 

Os pássaros nascem juntos com o sol. São solistas.

 

4.

 

Se o homem não sabe o que fazer da mentira em que vive,

o que saberá fazer da verdade?

 

5.

 

Se tenho flores, alguns feitiços, e se venho aqui amanhã e novamente venho,

é porque me sei mel-amargamado amor.

 

Geografia sentimental

1.

Brasília não tem praia mas é espraiada.

O Semeador de Estrelas

quinta-feira, novembro 5th, 2009 | Citação, ínfima estética | 1 Comentário

Poema para estátua em Kaunas, Lituânia

Quem se recolhe na luz

Nunca se cansa. 

 

Durante o dia

acolhe filamentos

Durante a noite

Faz estrelas

Sombriamentos.