poema quase erótico
Naquela noite, em Dubai
Naquela noite, em Dubai, aprisionei borboletas em teus olhos
Para que elas voassem de mansinho para dentro da minha alegria.
Naquela noite, em Dubai, a lua cheia incendiou a saliva do fogo.
Nus, vestimos as asas do flamingo escondidos na felicidade.
Naquela noite, em Dubai, aprisionei o teu corpo com sopros infantis.
O amor entrou em tua pele parecendo passarinho.
Naquela noite, em Dubai, a gente esculpiu o amor com a boca.
Recitei um poema para cada letra do teu nome.
Naquela noite, chupei a poesia, mordi a poesia, fodi com a poesia.
Gozaste na minha boca os versos que jamais ousei escrever.
Carnaval
O que me atrai em ti são as camadas de maciez da tua língua
Quando chamas o meu nome. Me atrai as visagens que não tivemos,
O batimento oculto dos teus lábios. O samba-funk da minha língua
Nos teus pés de dançarina. Me atrai os filmes que não ouvimos,
O touro calmo da nossa paixão. O sexo alvo que não fingimos.
Atrai o teu gozo múltiplo com a flecha lançada do meu coração.
Quantos beijos deixamos de dar por conta da chuva que não tomamos?
Quantos dedos a te lamber?! Me atrai não poder te levar mais à matinê.
Como farejar as tuas gargalhadas de menina? Nem imaginas o carnaval
Da minha língua nos teus pés de colombina.
