ut picture poiesis

Xila

segunda-feira, maio 10th, 2010 | ut picture poiesis | Nenhum Comentário

 

Com a força dos monstros nos encontramos, tomamos vinho, deixamos o mundo correr, roçamos um pescoço no outro, o nariz nos olhos, ombro a ombro, ao infinito. O melhor dos nossos abraços ninguém suspeitou. O melhor encontro, na kitinete das relações, foi o Aberto que se descortinou em teatro, vastando-se, diante de nós, ao infinito.

balada para o amigo desconhecido

domingo, agosto 16th, 2009 | ut picture poiesis, ínfima estética | Nenhum Comentário

 

A poesia assassinou um amigo meu. Ele morreu de incêndio. Presumivelmente, do lado lá, no primeiro segundo, deve ter procurado um cigarro qualquer e um lugar para sentar.

Depois deve ter refletido longamente, pensando nesta sua nova solidão.

O meu amigo vivia cansado de si mesmo. Descobriu que após a morte continuamos a nos perseguir, (”au, au”) igual cão latindo na janela.

um dia na relva

 

Um dia inteiro na relva…

Um dia enchendo a mão de mudas e socando-as na terra, melando a face nas sebes como quem deseja o futuro.  Reencontrar o caminho da floresta: admirar a lata velha cheia de mato grudada a árvore, o capim, os eucaliptos envelhecidos e secos, a mata baixa do cerrado.

Um dia inteiro diante do Ganges, o Riacho Fundo, tomando as águas sujas de suas corredeiras para aguar as novas sementes de hortaliças, o sansão do campo, o patchuli, as petúnias e a mirra silvestre.

(Ah, meu velho Italo Calvino, somente tu talvez entendas o que digo… )

Um dia inteiro na relva. Os sagüis, os periquitos do cerrado, os mosquitos, a galinha-de-angola, a cobra-coral, daqui a pouco as abelhas, a borboleta, o beija-flor.

E assim se passa um dia inteiro nos caminhos de floresta. Quando se chega às capoeiras a tarde já está cansada. O ar seco descansa sua poeira diante do interminável rio.

E assim a poeira dá lugar à escuridão.

Havia chegado a hora da fogueira, do cigarro e do silêncio.

névoa na noite fria

sábado, maio 2nd, 2009 | ut picture poiesis | Nenhum Comentário

As vezes os cães ladram de solidão.

hino íntimo aos deuses

sábado, maio 2nd, 2009 | ut picture poiesis | 1 Comentário

 A melhor companhia do homem

sempre é ele próprio.

pra que serve um dedo de prosa

sábado, maio 2nd, 2009 | ut picture poiesis | Nenhum Comentário

 Escrever é como pedir socorro.

Reescrever, também.

Hölderlin (1770-1843)

sábado, abril 25th, 2009 | ut picture poiesis | Comments Off

Onde os homens puros vivem, o espírito habita.
As formas confusas da vida
florescem com claridade e sentido
onde uma luz segura as encanta.

Caravaggio

segunda-feira, abril 20th, 2009 | ut picture poiesis | Nenhum Comentário

 

Todos admiravam suas sombras

Mas ele só revelava a luz

Invertida do homem

 

No espelho íntimo de cada um

O reflexo impreciso

de Narciso

 

 

 

 

 

Narcissus, de Michellangelo Caravaggio (1571-1610), pintado entre 1597-1599. O quadro está na Galleria Nazionale d’Arte Antica em Roma.