Archive for março, 2009
William Butler Yeats - Dublin, 13 de Junho de 1865 — Menton, França, 28 de Janeiro de 1939
1.
Chamamos de retórica a discussão com os outros, mas à discussão conosco mesmo chamamos de poesia.
2.
Poetas da Irlanda aprendam seu ofício:
Louvem tudo o que é feito com capricho!
Louvem os camponeses, e então
Os nobres que viajam por nossa nação,
A santidade dos monges e, depois,
O riso alegre dos beberrões.
Poema para pichar o muro de Cascudo
Saia do seu canto de muro, homem. Vá passear na praça. Você gosta dos abetos no canteiro? Já fumou um cigarro na praia ou acendeu uma fogueira com lascas de eucalíptos?
Sei que você gosta de poesia, homem. Que escreve poesia também. Mas tem poesia na tua vida neste canto de mundo? Saia do seu canto de mundo, homem. Vá passear na praça. Olhar as meninas; torcer contra o Corinthians; tomar uma cerveja gelada; jogar dominó; esperar o inverno…
Se você tiver filhos e gostar de gargalhar com bestagens, ainda melhor. Subirá no meu conceito. Fará seu canto ainda melhor. Se puder, pendure também uma samambaia por perto. Solte pipa. Lave um balde de roupa suja ou caminhe sem direção rumo a estrada noturna.
Qualquer coisa, homem. Qualquer coisa. Menos jogar tua âncora de sol neste canto de muro.
Outra versão (ao piano) da submissão à alegria
Quando a gente se abarrota de emoção, sacudido dos balanços do coração e das lágrimas, aí a gente pode encher a boca e dizer: Nada de crise neste dia. Nada de crise nesta noite. Não nesta noite de lua cheia! Nesta noite, apenas vestir as melhores emoções. Dos bolsos deixar cair felicidades. Neste dia, nesta noite, apenas abotoar o corpo com a infância das luas novas.
O homem que virava cupim
Sei que vocês vão duvidar. Terão motivos para isso, eu sei. Mas tudo é verdade. Aconteceu que conheci um homem, Francisco, que virava cupinzeiro. Foi antes da grande seca, lá pelos baixios do sertão setentrional, próximo ao açude dos Ferreiras. Francisco, quando queria, virava cupim ou cupinzeiro a depender da ocasião. Nunca entendi como e por que aquele velho fazia isso, só sei que ele virava.
Digo isso para explicar essa coisa que eu tenho de virar bicho de vez em quando. Nasci piaba, mas hoje sou bicho-homem, graças a deus. Mas nasci piaba, quando adolescente, virei sabiá, depois jacaré. Depois dos 30, virei macaco.
A propósito, hoje sonhei sendo águia e todas as quintas, às vezes, viro cavalo.
Sei que vocês não entendem. Mas eu também não. Mas acontece isso comigo: virar bicho de vez em quando.
Foi isso o que me aproximou de Francisco. Como ele virava cupim eu podia entender o que se passava com ele, porque na ocasião em que o conheci eu virava, às vezes, sabiá. Na época eu era um adolescente e achava tudo muito normal, mas todos diziam que isso não era normal, que era estranho, etc. Hoje, até eu acho estranho. Mas na época não era.
Francisco havia descoberto a fórmula de se tornar cupinzeiro sem querer. Uma vez comeu bosta de cupim e isso foi o suficiente. Antônia, a feiticeira da aldeia até que tentou desfazer, mas não conseguiu. Francisco havia para sempre se tornado ora cupim ora cupinzeiro ora homem. Tanto que os trabalhadores quando passavam por algum lugar que houvesse um cupinzeiro nunca sabiam quem ou o que estava ali, daí que cumprimentavam. “Bom dia, seu Francisco”, “Boa tarde, seu Cupinzeiro”. E todos perguntavam para o velho como era viver em meio aos cupins. E ele não negava explicação. Dizia que era tudo muito organizado, muito disciplinado, todos tinham suas funções, que não havia cupim desempregado, nem abandonado, nem nunca tinha ouvido falar de um cupim que passasse fome, etc. Os cupins eram sociáveis, dizia ele.
E o melhor era que viviam de uma forma que nunca faltava comida. Nunca. Diferente da gente, que nunca come direito, nada.
Seu Francisco viveu até a idade de morrer. Seu corpo, a seu pedido, foi enterrado, claro, dentro do cupinzeiro. Antônia, a feiticeira, teve depois um sonho com ele dizendo que agora tinha deixado de ser cupim e tinha virado abóbora. A notícia se espalhou. Desde então, toda abóbora colhida na aldeia, era motivo de suspeita. Ninguém queria ter indigestão comendo aquele velho mentiroso.
No desfile das grandes escolas
Mãos dadas em ciranda, arraiá e festa cigana, grite: “Heia! Heia!”
Quando passar a Liberdade.
Dizem que a vida é uma dança macabra
Dizem que a vida é uma dança macabra. Que no fim do baile todas as máscaras caem. Mas ainda resta a música no fim do baile. E quando resta a música, fica a verdade e as suas máscaras.
Life afe
A vida é culta e não suporta os limites da estrada.
Quer mais do que horizontes nos passos da calçada.
