Archive for julho, 2009
um dia na relva
Um dia inteiro na relva…
Um dia enchendo a mão de mudas e socando-as na terra, melando a face nas sebes como quem deseja o futuro. Reencontrar o caminho da floresta: admirar a lata velha cheia de mato grudada a árvore, o capim, os eucaliptos envelhecidos e secos, a mata baixa do cerrado.
Um dia inteiro diante do Ganges, o Riacho Fundo, tomando as águas sujas de suas corredeiras para aguar as novas sementes de hortaliças, o sansão do campo, o patchuli, as petúnias e a mirra silvestre.
(Ah, meu velho Italo Calvino, somente tu talvez entendas o que digo… )
Um dia inteiro na relva. Os sagüis, os periquitos do cerrado, os mosquitos, a galinha-de-angola, a cobra-coral, daqui a pouco as abelhas, a borboleta, o beija-flor.
E assim se passa um dia inteiro nos caminhos de floresta. Quando se chega às capoeiras a tarde já está cansada. O ar seco descansa sua poeira diante do interminável rio.
E assim a poeira dá lugar à escuridão.
Havia chegado a hora da fogueira, do cigarro e do silêncio.
ouvindo o amanhacer
caminhando pela praia logo cedo, banhando o pé de silêncio
a liberdade de não ser nada
a liberdade de não ser nada
é a de não ter nada
é a de não se prender
ou se perder
no nada
apontamentos banais sobre coisas fundamentais
1.
quem tem sede de espírito
deve tomar copos de vento
2.
Quem vive a experiência da brecha
só tem olhos para buracos
3.
a praga só aumenta
da gripe de Amor
nem notícia
frase vinda das sombras
importante é amadurecer irremediavelmente para a liberdade
frase vinda da luz
Meu coração nunca deixou de ser inquieto
o avesso do verso apaixonado
no reduto da intimidade
pintamos a esperança
com os pincéis
do impossível
descansamos um
na loucura do outro
e nunca entendemos
nada de nada nem
se por sorte
ou por destino
nunca entendemos
o por quê de tanto
amor
e amamos tantos
até ao contrário
que virados do avesso
arregaçados
éramos só
coração
coração
coração
