Archive for agosto, 2009

quarta-feira, agosto 26th, 2009 | Poemas | 2 Comentários

 

Poesia

dói mais

que azia.

 

Poesia

dói muito

guria.

 

o dois mil e doze de Das Dores

quarta-feira, agosto 26th, 2009 | Poemas | 1 Comentário

 

ouvi rumores

dizem que a peste está no ar

e os arrepios vêm par com as gosmas

e as embolações todas, os infernos todos

chegaram

ouvi rumores.

 

há rumores no ar

dizem

tudo vai delfinar.

 

ô povo pra gostar de ouvir

Das Dores!

Violetas

domingo, agosto 16th, 2009 | Poemas | 3 Comentários

 

As violetas nunca crescem no meu jardim.

Preferem as sacadas da vizinha, os xaxins

Amadurecidos no jarro velho, lá tranqüilos

No antigo Casarão.

 

Quando as violetas surgem nos buquês

Ou chegam entrelaçadas no roça-roça

De seus fios, ou quando, lá tranquilas

No antigo Casarão

 

Na primavera, surgem devotas

Nas sacadas lajes varandas

sei - bem sei 

 

Que violetas são devotas da tristeza.

Façamos silêncio

domingo, agosto 16th, 2009 | ínfima estética | 3 Comentários

De onde a necessidade de silêncio? Que expediente é o de calar? Estranha e irresistível vontade de não falar e de não falar e de, se possível, calar 24 horas.

O silêncio estranhamente conduz à leitura e à escrita. Outros silêncios.

 

A palavra é aquilo que habita entre pausas.

 

O melhor dos silêncios é aquele desfrutado diante do mistério. Depois vem o silêncio da arte e o do amor, que é outra forma de mistério e de silêncio.

 

Em suma, ninguém sabe nada. Nem do amor, nem do mistério.

 

Façamos silêncio.

balada para o amigo desconhecido

domingo, agosto 16th, 2009 | ut picture poiesis, ínfima estética | Nenhum Comentário

 

A poesia assassinou um amigo meu. Ele morreu de incêndio. Presumivelmente, do lado lá, no primeiro segundo, deve ter procurado um cigarro qualquer e um lugar para sentar.

Depois deve ter refletido longamente, pensando nesta sua nova solidão.

O meu amigo vivia cansado de si mesmo. Descobriu que após a morte continuamos a nos perseguir, (”au, au”) igual cão latindo na janela.

Poema a la Manoel de Barros

domingo, agosto 16th, 2009 | Poemas | Nenhum Comentário

 

 

Todas as empirias mostram nenhuma serventia para a poesia.

Mas para uma coisa ela serve sim senhor:

Adornar sopro de sapo

em noite de jia.

cometas no céu

quarta-feira, agosto 12th, 2009 | Frasementos e Histórias Vis | 1 Comentário

No dia de santa Clara, o Anjo me apareceu num vermelho vestido de noiva. Tinha a força redobrada por ter mergulhado seus cabelos nas chamas de Vulcano.

O Anjo disse que, por alergia a glúten, não podia mais comer a óstia sagrada. Só comungava agora com vinho.

“Me tornei agora o vampiro de Cristo”… disse… “Bebo seu sangue todos os dias”.

Estranho. Os olhos do Anjo não estavam mais tristes.

poema em espiral

sábado, agosto 8th, 2009 | Poemas | 1 Comentário

 

 

Gosto de matemática.

Não sei se é

algo nos ritmos

numes vazios

decimais

em mim.

 

Só sei que gosto de mate

com chocolate. Mate com

leite. Mate com máquinas.

 

Matemática. Ninguém é

capaz de entender tua

dez serventia.

 

Pra que serve um zero

à esquerda

igual

a mim?

frase roubada de um santo

sábado, agosto 8th, 2009 | Frasementos | Nenhum Comentário

Aprender a morrer custa metade da vida.

frase roubada de um ladrão

sexta-feira, agosto 7th, 2009 | Frasementos | Nenhum Comentário

Tocar na ferida com o cadáver ainda vivo.