Archive for dezembro, 2009

indefinições

quinta-feira, dezembro 31st, 2009 | ínfima estética | Nenhum Comentário

 O lírico é o que coloca rédeas na tristeza.

caminhando entre fronteiras

quinta-feira, dezembro 31st, 2009 | Sem categoria | Nenhum Comentário

Não compreender é uma forma de entender. Carpinejar disse por agora: “Se eu me entender deixo de ser poeta”. Está certíssimo. Quem explica muito acaba analfabeto.

a portadora dos beijos

quinta-feira, dezembro 31st, 2009 | Sem categoria | Nenhum Comentário

Ela veio trazendo os beijos de um coração que não conheço. Mesmo assim os recebi. Tinha a lua cheia à esquerda e o sol poente à direita. Fiquei feliz. Naquele momento catorze pássaros brancos cruzaram em delta a minha cabeça. Fechei os olhos redondos. Fiquei redondamente encantado.

riso forte

quinta-feira, dezembro 31st, 2009 | Sem categoria | Nenhum Comentário

Nem toda festa necessita palhaço.

Mas toda ela necessita riso forte.

Alegria de aço.

Em 2010

segunda-feira, dezembro 28th, 2009 | ínfima estética | Nenhum Comentário

Boa sorte para você. Sobretudo saúde e paz interior.

Por via das dúvidas, acompanhe-se dos leves. Serene o seu facho ou atice a sua chama, conforme for. Se for preciso, enterre os seus mortos e siga em frente. Enterre o coração na curva da ponte ou enterre o seu verso entre os dentes e siga em frente. Tome banho de champanhe para afastar os idiotas e atraia quantos corações você for capaz de amar.

A rotina da galinha e dos professores de filosofia

segunda-feira, dezembro 28th, 2009 | Poemas | Nenhum Comentário

Gargareja o cálcio ócio

Cacareja o falso ópio

Do óbvio

A Oriente segue a noite

sábado, dezembro 26th, 2009 | Sem categoria | Nenhum Comentário

Voltei à Ponta do Flamengo, na praia de Piranji do Norte, a 25 km de Natal. As cartas náuticas registram que aquelas pedras negras e altas indicam o terceiro lugar do continente sulamericano mais próximo da África. Como o Clube de Regatas Flamengo foi Campeão Brasileiro este ano, achei muito adequado ficar por ali um tempo, respirando aquele vento forte, maroto e incessante. Só faltou o charuto. A brisa ligeira e molhada lambendo os pescoços das pedras negras e frias… Que delícia! Fechei os olhos. Como era noite alta, deu para ouvir corretamente o uivo do vento, misturado ao ribombar das ondas explodindo nas pedras. Lá longe, lá longe, de dentro da escuridão marítma, dava pra ouvir baixinho o canto de uma africana numa praia de Cabo Verde…

Era a oriente que a noite seguia.

tango vertical

sábado, dezembro 26th, 2009 | Poemas | Nenhum Comentário

Teimosia é um tipo de força.

Resistência  reimosa.

Toda força é nervosa.

Calvineanas - I

quinta-feira, dezembro 24th, 2009 | Pensamento-poema | Nenhum Comentário

Está provado não só que é possível ter três corações como dezesseis amores. Felizmente não se contam as cicatrizes ou as rugas permanentes de riso e escárnio, nem as lágrimas coloridas de solidão. No entanto, a soma geral dos homens não dá um inteiro. Este ano, ninguém foi selecionado e dividido pela capacidade de amar, a não ser pela de odiar, que é sete vezes ao cubo a de ficar quieto.

É uma pena, mas espinhos foram plantados por toda a estrada. 

O Apocalipse apareceu e disse que nunca terá fim. Recitou até um poema:

O fim
tem gosto

ruim.

não entendi o amor da moça

quinta-feira, dezembro 24th, 2009 | Pensamento-poema | Nenhum Comentário

A moça sob a árvore acenou com a rosa na mão. Nada precisou falar. Atravessou a rua sem olhar para os lados. Carregava ainda outra rosa atada na cintura com feixes de passarinhos no coração. Quando ela divisou perto da janela do carro, de repente, sumiu no ar…

Mas as rosas não. As duas ficaram caídas no chão. Os pássaros voaram todos.