A pureza e outros vícios
Quanto mais ele envelhecia, mais tentava ter olhos infantis.
Passava o dia a recitar Lorca: “Estou a buscar o sono das maçãs…” Tentava buscar também a atmosfera das tâmaras.
Com fervor, acreditava que o estado infantil era a saída para o coração do homem. Importava se o olho era tinto; se o amor era cru; se a palavra era alva; se a mordida era quente e se o saber era nu.
Se redizia:
Todo aquele que enxerga com o peito vê mais longe.
Quanto mais ele envelhecia, mais usava óculos infantis.
3 Comentários to A pureza e outros vícios
Cheguei de viagem ontem, coloquei os meus óculos infantis e fui ler os ‘poemas vis’. Levei um susto, e tenho levado todo dia…uma gota de cada vez para não me saciar de todo. O prazer é melhor quando vem aos poucos ou quando conseguimos estendê-lo.
Não sei como te agradecer…as palavras nem sempre são suficientes.
Por isso te deixo meu abraço e um beijo bem grande de muitíssimo obrigada, amigo.
Magna
Vc escreve tão bonito- tudooooo li tudinho aqui.
Bj LAura
6 de fevereiro de 2010
Tem se superado, poeta. Parabéns!

28 de janeiro de 2010