Carnaval
O que me atrai em ti são as camadas de maciez da tua língua
Quando chamas o meu nome. Me atrai as visagens que não tivemos,
O batimento oculto dos teus lábios. O samba-funk da minha língua
Nos teus pés de dançarina. Me atrai os filmes que não ouvimos,
O touro calmo da nossa paixão. O sexo alvo que não fingimos.
Atrai o teu gozo múltiplo com a flecha lançada do meu coração.
Quantos beijos deixamos de dar por conta da chuva que não tomamos?
Quantos dedos a te lamber?! Me atrai não poder te levar mais à matinê.
Como farejar as tuas gargalhadas de menina? Nem imaginas o carnaval
Da minha língua nos teus pés de colombina.
1 Comentário to Carnaval
… Como voyeur fiquei aqui olhando pelo buraco da fechadura invisível, o que acontecia desse lado, como dançava a colombina, como ela ria, qual a sonoridade do seu riso? Tentei espreitar como ela lhe chamava, como seria a movimentaçao desse chamado…? Depois, desisti e saí caminhando e (des)construindo no meu imaginário todos os desacontecimentos de tudo que nao vi pela buraco da fechadura…
Um poema que permite-nos uma autoria. Acabei por fazer a minha viagem, ampliando um campo sem fim de possibilidades, que só a poesia permite.

18 de fevereiro de 2010