Carnaval

terça-feira, fevereiro 16th, 2010 | poema quase erótico

 

O que me atrai em ti são as camadas de maciez da tua língua

Quando chamas o meu nome. Me atrai as visagens que não tivemos,

O batimento oculto dos teus lábios. O samba-funk da minha língua

Nos teus pés de dançarina. Me atrai os filmes que não ouvimos,

O touro calmo da nossa paixão. O sexo alvo que não fingimos.

Atrai o teu gozo múltiplo com a flecha lançada do meu coração.

 

Quantos beijos deixamos de dar por conta da chuva que não tomamos?

Quantos dedos a te lamber?! Me atrai não poder te levar mais à matinê.

Como farejar as tuas gargalhadas de menina? Nem imaginas o carnaval

Da minha língua nos teus pés de colombina.

 

 

 

1 Comentário to Carnaval

Boca
18 de fevereiro de 2010

… Como voyeur fiquei aqui olhando pelo buraco da fechadura invisível, o que acontecia desse lado, como dançava a colombina, como ela ria, qual a sonoridade do seu riso? Tentei espreitar como ela lhe chamava, como seria a movimentaçao desse chamado…? Depois, desisti e saí caminhando e (des)construindo no meu imaginário todos os desacontecimentos de tudo que nao vi pela buraco da fechadura…
Um poema que permite-nos uma autoria. Acabei por fazer a minha viagem, ampliando um campo sem fim de possibilidades, que só a poesia permite.

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