Carta para a moça que peneirou o amor
Primeiro queria agradecer por você ter compartilhado comigo um pouco do teu nada.
Contar aquilo que desenha a tua personalidade, o teu caráter e o teu semblante juvenil.
Lendo, vejo que você tem a graça do movimento no sangue. Fico feliz por você ter voltado a dançar sob as patas da incerteza.
Gostava de dançar na rua. Hoje danço mais no meu quarto, sozinho, para harmonizar o espírito inquieto. Celebro então as forças todas. Com a vagueza de sempre, é claro.
É sempre bom e necessário fazer aquilo que deixa a gente feliz, né?… O danado é que sabotamos a felicidade com o que temos à mão.
Em segundo lugar, queria agradecer pelo cuidado que você tem tido comigo. Mesmo sabendo que minhas palavras são imaturas. Mesmo sabendo que não gosto da palavra ‘machucar’. As palavras que escolhi para a jornada não estão na moda.
Nem nunca vão estar.
O cuidado do mundo você colocou do avesso. Agora para amar, preciso desamar. Agora para achar, preciso perder. O diabo escreve torto por linhas certas.
O meu engano, a minha bobeira e o meu ridículo, claro, você soube mostrar muito bem, sem que eu me sentisse bobo, ridículo ou enganado. Até achei graça de mim.
Agradeço imensamente por você ter me ensinado a ficar na sombra. Não se preocupe que não deixarei a verdade atrapalhar a gente.
Mas não vou mentir, já que estamos falando tudo abertamente. Vou continuar dizendo tudo o que desacho. É verdade que fiquei muito impactado com a tua palavra. Nem tive como evitar o nó na garganta. Quem sabotou o nó foi o sopro do tempo.
Escrever para mim é uma forma de estar contigo. A forma que encontrei de ser ninguém.
Escrever é também outra forma que encontrei de fazer companhia à sombra. Pois somente os encarcerados tomam banhos de Sol.
3 Comentários to Carta para a moça que peneirou o amor
“Fico feliz por você ter voltado a dançar sob as patas da incerteza”
como mexe. por dentro. reflete os erros e falsos acertos. engraçado, estamos todos loucos.
24 de março de 2010
Será que tudo começa com um encontro que leva ao “desencontro de almas” para mais tarde o amor ser peneirado e no final não sobrar nada mais que migalhas e estilhaços?
Compartilho com você um pouco do meu nada… Um blog simples para conectar com meus jovens alunos… Abraços!

22 de março de 2010